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Capuchinho vermelho ou uma versão de Almodóvar?


Afinal quem era o capuchinho vermelho?
Certo é que este conto infantil está muito mal contado...
Começando pela questão familiar, ao que sabemos a avó estava doente, a morar sozinha e dependia da menina para se alimentar. Qual não seria a pressão psicológica da criança...?Esta gente nunca terá ouvido falar em lares? E que terra era aquela que não garantia o apoio domiciliário a idosos? Provavelmente a história passou-se em Portugal...Resumindo: que espécie de família é esta que permite que uma menina atravesse uma floresta sozinha, e que deixa uma senhora de idade avançada a viver isolada no meio de um bosque?
Sabe-se que o capuchinho vermelho vivia com a mãe... mas nada se sabe do pai! Será que o pai era alcoólico? Terá ido comprar tabaco e nunca mais voltou? Descobriu que a menina era filha do carpinteiro? Trocou a esposa por uma brasileira? Ou terá sido uma moldava? Pois é...não sabemos!
A única coisa que sabemos é que o pai é uma figura ausente na vida desta criança. Isto, juntamente com a dramática situação de ter estado na barriga de um lobo mais a sua avó, causou-lhe necessariamente traumas que somente muitos anos de terapia e antidepressivos podem tentar diminuir...talvez agora seja militante da JCP...
Ainda há aquela parte em que o lobo vira travesti! Ora aí está um autor visiónário, talvez tenha sido o primeiro conto em que um animal aderiu ao travestismo. Se já é algo difícil explicar a miúdos de tenra idade, que há homens que preferem vestir-se de mulher, imaginem o que será explicar um mamífero de quatro patas e foçinho com touca e a camisa de dormir de flanela. Ok, o facto de ser de flanela ainda agrava mais a questão.
Desconfio também que comer uma velhota inteira sem a mastigar provoque alguma indigestão, para não falar dos intestinos do pobre animal! Que cólicas...
E será que o caçador antes de esfaquear o lobo não teve mesericórdia ou não se terá lembrado que era um bicho em vias de extinção? Para não falar no facto de o ter esfaqueado, senhores, não bastava uma traulitada na cabeça? O efeito era o mesmo e sangue suja imenso...
Afinal, qual é a moral desta história? Qual é o final feliz?As crianças vão ficar a pensar que não faz mal nenhum ingerir todo o tipo de coisas que lhes apetecer, sem as mastigarem bem. E quem diz engolir avózinhas, diz: engolir lápis, sapatilhas, livros escolares ou o pior de tudo – legumes e hortaliças!