Era uma vez...
um Imperador que gostava muito da primavera.
Um dia mandou chamar o pintor mais conhecido e admirado do Império e ordenou-lhe que pintasse a primavera. O pintor disse que para para a pintar necessitava de uma casa grande e confortável, que estivesse situada no lugar mais bonito do reino, alguns criados e um prazo de três anos. O Imperador concedeu os pedidos. Ao fim de três anos o Imperador mandou chamar o pintor ao palácio e quis saber se ele já tinha pintado a primavera. O pintor pediu ao Imperador que lhe fossem concedidos mais três anos de prazo, os mesmos criados e a mesma casa. O Imperador voltou a conceder os pedidos.
Ao fim de três anos o pintor chegou novamente ao palácio e, em frente do Imperador, em alguns segundos, com traço firme e sem levantar o pincel, pintou a primavera, tão bonita que nunca o Império tinha visto outra igual. O Imperador, contente, mas surpreendido, perguntou ao pintor para que tinham servido os seis anos se ele fora capaz de pintar a primavera em alguns segundos. O pintor respondeu que foram os seis anos de conforto e reflexão que tinham permitido a síntese, em alguns segundos, de uma multiplicidade de gestos...
