Matrioska


Corpo-crepúsculo

bagagem que a alma
transporta
depósito de sensações
sabores
de arquitecturas várias
feito.

Corpo-pele,

fronteira da identidade e defesa.
sujeito e objecto,
vivente e vivido,
tocante e tocado.

Corpo que dança
como quem faz um poema
mãos sujas, olhar limpo,
pés descalços...

Corpo que nasce
renasce
outra vez,
pontapeia a sombra sem luz
e em graça
se retira do palco,
num abraço envolvente
num afago
que toca no coração
da gente!