Carta a S. Pedro

Querido S. Pedro,


Há qualquer coisa antiga e estranha nesta atmosfera que se faz sentir... lembra o inverno despido, sem o conforto da lareira, sem o aconchego do cobertor. Há apenas esta chuva que molha sem sabor, sem eloquência, persistente.
É esta chuva que traz nas gotas a incerteza de um tempo melhor, que inibe, que leva os nossos corpos a esconder-se novamente dentro de um envelope fechado?
Não sei, sei apenas que há qualquer coisa de antigo e mágico em poemas fechados em envelopes.
Abrí-los é como libertar as palavras que o remetente condenou à asfixia. É como quando se abre uma gaiola e o pássaro aproveita o segundo de distracção para esticar as asas.


E já que a primavera foi curta, e ainda há tantos envelopes para abrir... que venha o verão!

P.S. Aqui fica a sua música preferida, para ouvir quando tiver saudades :)