
Já repararam que num elevador ninguém olha em frente?
Existem aquelas pessoas que olham para o chão, como que numa tentativa apática de encontrar uma lente de contacto perdida...
Temos ainda aqueles que olham para cima e admiram as grades da ventilação, as lâmpadas fluorescentes que iluminam o espaço, sempre com um olhar bastante crítico semelhante àqueles que não dintinguem um Chardonnay de um copo de vinagre, quando provam um bom vinho num restaurante in...
Temos também os que tentam parecer mais discretos e lêem com um ar muito interessado, introspectivo, aquelas placas nas paredes: Cortesia da Otis, lotação máxima de 6 pessoas, máximo peso 400kg...
Existem aquelas pessoas que olham para o chão, como que numa tentativa apática de encontrar uma lente de contacto perdida...
Temos ainda aqueles que olham para cima e admiram as grades da ventilação, as lâmpadas fluorescentes que iluminam o espaço, sempre com um olhar bastante crítico semelhante àqueles que não dintinguem um Chardonnay de um copo de vinagre, quando provam um bom vinho num restaurante in...
Temos também os que tentam parecer mais discretos e lêem com um ar muito interessado, introspectivo, aquelas placas nas paredes: Cortesia da Otis, lotação máxima de 6 pessoas, máximo peso 400kg...
Tudo isto acontece devido a duas situações:
Se alguém for sozinho no elevador com pessoas que desconhece, olhá-las nos olhos assume um carácter de desafio primitivo (a roçar no animalesco) sendo quase um desafio a despir o casaco e iniciar já ali a recriação de uma qualquer cena de luta do Matrix ou, pelo contrário, duma cena erótica fantasiada.
No entanto, se a pessoa em questão for acompanhada por amigos num elevador já povoado, olhá-los nos olhos traz inevitavelmente uma gargalhada incontrolável, como só acontece nas situações menos próprias. Assim, todo o contacto visual num elevador é sempre algo a evitar.
Existe ainda outro fenómeno estranho no elevador: O cerco.
Falo daquela situação em que, estando já o elevador cheio quando se entra e tendo todos os presentes ocupado as suas posições junto às paredes, resta apenas um local de pousio:
O meio.
Quando alguém é forçado a ficar no meio, o desconforto de um elevador cresce exponencialmente: seja numa tentativa de não virar as costas a ninguém, seja pelo ridículo de estar a ser observado por todos os presentes.
Se alguém for sozinho no elevador com pessoas que desconhece, olhá-las nos olhos assume um carácter de desafio primitivo (a roçar no animalesco) sendo quase um desafio a despir o casaco e iniciar já ali a recriação de uma qualquer cena de luta do Matrix ou, pelo contrário, duma cena erótica fantasiada.
No entanto, se a pessoa em questão for acompanhada por amigos num elevador já povoado, olhá-los nos olhos traz inevitavelmente uma gargalhada incontrolável, como só acontece nas situações menos próprias. Assim, todo o contacto visual num elevador é sempre algo a evitar.
Existe ainda outro fenómeno estranho no elevador: O cerco.
Falo daquela situação em que, estando já o elevador cheio quando se entra e tendo todos os presentes ocupado as suas posições junto às paredes, resta apenas um local de pousio:
O meio.
Quando alguém é forçado a ficar no meio, o desconforto de um elevador cresce exponencialmente: seja numa tentativa de não virar as costas a ninguém, seja pelo ridículo de estar a ser observado por todos os presentes.
Pior, pior é quando alguém no meio do silêncio, se lembra de puxar um desbloqueador de conversa:
-Parece que hoje temos chuva...(suspiro)
ou
-Bem...se isto pára aqui no meio...(ehehe)
ou ainda
-Está tão abafado aqui dentro! (suspiro)
quiçá...
-A ver se é hoje que o Benfica mete um golito! (ehehe)
Solução?
Começa a ir mais vezes pelas escadas, é mais ecológico e evita situações constrangedoras...a não ser que tropeçes nas escadas. Pior do que cair nas escadas, só sofrer do síndrome do cólon irritável e não poder controlar a emissão de flatulências...Que medo!