Metaforicamente


Dona Dependência, era de baixa estatura mas escondia por detrás da aparente fragilidade, uma grande força;uma simulação inconsciente, quase manipulatória.
Tinha uma filha de nome Preguiça, que cresceu a olhos vistos.
Chegado o momento do desmame, a pequena não sentia necessidade de largar o peito e a mãe não via necessidade de o provocar.
Preguiça fazia muitas exigências e pedidos e a Dependência dava tudo o que tinha, apenas esperando total devoção e a garantia de que nunca perderia o seu lugar, o seu papel, a sua função.
E assim foi: com o decorrer dos anos a filha continuava a ser amamentada e a mãe continuava a amamentar. A filha crescera ao ponto de não caber no berço.
Momentos houve em que Preguiça não sentia vontade de retribuir o carinho que sempre lhe era exigido em troca. No entanto, as dores que sentia no corpo e na alma ao tentar sequer mexer-se do seu berço donde, entalada, transbordava, faziam-na recuar face a qualquer tentativa de mudança.
Preguiça nunca teve de enfrentar decisões, mudanças e reacções. Dependência nunca perdeu o seu lugar e a sua função. Quando uma morreu, morreu a outra. Não se sabe quem morreu primeiro, ou se morreram ao mesmo tempo. Tal como nunca se percebeu quem alimentava quem...