Contaram-me uma história...

Era uma vez há muito muito tempo atrás, uma aldeia onde todos exibiam o seu coração numa redoma de vidro. Olhando para os corações era possível ver os seus pecados, as suas virtudes, os seus (des) amores, os seus sonhos, as suas mágoas. Um dia apareceu nessa aldeia um jovem com um coração perfeito, não tinha uma única cicatriz, não tinha cortes ou remendos. Todos pararam para o admirar:
- Incrível, como consegue ele ter um coração assim?
Ficaram encantados com a sua beleza, com a sua fragilidade. Nunca um coração tão puro tinha sido visto naquela região. Nesse momento surgiu um velho com um coração cheio de remendos. Um coração feio, com bocados mal costurados, bocados que faltavam, bocados que pertenciam a outros corações… Diante do coração perfeito do jovem este ainda parecia mais feio e sem graça. O velho dirigiu-se à multidão que admirava o rapaz e disse:
- Sim.. o coração dele parece perfeito, e é de facto admirável.. mas não é melhor que o meu...
Uma das pessoas que se encontrava na multidão disse indignada:
- Seu velho tonto, como podes dizer isso? O teu coração está cheio de remendos, tem cortes… tem falhas… nunca o poderás comparar com o deste jovem!
- Incrível, como consegue ele ter um coração assim?
Ficaram encantados com a sua beleza, com a sua fragilidade. Nunca um coração tão puro tinha sido visto naquela região. Nesse momento surgiu um velho com um coração cheio de remendos. Um coração feio, com bocados mal costurados, bocados que faltavam, bocados que pertenciam a outros corações… Diante do coração perfeito do jovem este ainda parecia mais feio e sem graça. O velho dirigiu-se à multidão que admirava o rapaz e disse:
- Sim.. o coração dele parece perfeito, e é de facto admirável.. mas não é melhor que o meu...
Uma das pessoas que se encontrava na multidão disse indignada:
- Seu velho tonto, como podes dizer isso? O teu coração está cheio de remendos, tem cortes… tem falhas… nunca o poderás comparar com o deste jovem!
E o velho disse:
- Pois não, o meu é mais velho, tal como eu já viveu muito… como todos podem ver, tem cortes feitos por pessoas importantes, alguns consegui fechar e deles resultaram estas cicatrizes, outros ainda estão abertos. Uns ainda me doem, outros são apenas recordações. Tem remendos porque nem sempre o que eu dei me foi dado em partes iguais. Por vezes amaram-me mais do que eu amei e por isso é que há pedaços que sobram, outras vezes eu amei mais e por isso é que há pedaços que faltam… No entanto, houve outras ocasiões, em que amei e fui amado na mesma proporção e é por isso que apesar de remendados estes pedaços parecem fazer parte de mim como se fossem realmente do meu próprio coração. Esse jovem tem um coração perfeito, mas nunca amou, nunca foi amado… nunca sofreu a dor de perder uma parte de nós sem a certeza de alguma vez poder recupera-la. Nunca foi realmente feliz porque nunca cozeu em si, de forma irreversível, o melhor de alguém… nunca o sentiu como seu.
O jovem ouvindo as palavras do velho, comovido… dirigiu-se a ele, retirou um bocado do seu perfeito coração e entregou-lho. O velho retirou um pedaço do seu coração e colocou nesse espaço vazio o que o jovem lhe tinha entregue, dando parte do seu ao rapaz. Os bocados eram exactamente do mesmo tamanho. Nesse momento o coração do jovem tinha deixado de ser perfeito, estava agora remendado, mas este nunca se tinha sentido tão feliz como naquele instante… a coragem de amar fê-lo perceber que o verdadeiro amor não se exibe numa redoma de vidro, nem sempre é admirável, mas quando vivido em toda a sua imperfeição pode tornar-se na melhor experiência da vida.
- Pois não, o meu é mais velho, tal como eu já viveu muito… como todos podem ver, tem cortes feitos por pessoas importantes, alguns consegui fechar e deles resultaram estas cicatrizes, outros ainda estão abertos. Uns ainda me doem, outros são apenas recordações. Tem remendos porque nem sempre o que eu dei me foi dado em partes iguais. Por vezes amaram-me mais do que eu amei e por isso é que há pedaços que sobram, outras vezes eu amei mais e por isso é que há pedaços que faltam… No entanto, houve outras ocasiões, em que amei e fui amado na mesma proporção e é por isso que apesar de remendados estes pedaços parecem fazer parte de mim como se fossem realmente do meu próprio coração. Esse jovem tem um coração perfeito, mas nunca amou, nunca foi amado… nunca sofreu a dor de perder uma parte de nós sem a certeza de alguma vez poder recupera-la. Nunca foi realmente feliz porque nunca cozeu em si, de forma irreversível, o melhor de alguém… nunca o sentiu como seu.
O jovem ouvindo as palavras do velho, comovido… dirigiu-se a ele, retirou um bocado do seu perfeito coração e entregou-lho. O velho retirou um pedaço do seu coração e colocou nesse espaço vazio o que o jovem lhe tinha entregue, dando parte do seu ao rapaz. Os bocados eram exactamente do mesmo tamanho. Nesse momento o coração do jovem tinha deixado de ser perfeito, estava agora remendado, mas este nunca se tinha sentido tão feliz como naquele instante… a coragem de amar fê-lo perceber que o verdadeiro amor não se exibe numa redoma de vidro, nem sempre é admirável, mas quando vivido em toda a sua imperfeição pode tornar-se na melhor experiência da vida.