
E no fundo somos todos semelhantes. Revermo-nos nas diferentes etapas da nossa vida como o resultado e o compêndio das nossas experiências, os nossos êxitos, realizações, fracaços, como se fosse apenas isso o que dita a nossa existência.
Cada trajectória compõe-se também das nossas perdas e dos nossos desperdícios, das nossas omissões e dos nossos desejos não cumpridos, daquilo que uma vez deixámos de lado ou não escolhemos ou não alcançámos, das numerosas possibilidades que maioritariamente não chegaram a realizar-se - todas menos uma, afinal -, das nossas hesitações e dos nossos sonhos, dos projectos frustrados e dos desejos falsos ou débeis, dos medos que nos paralisaram, daquilo que abandonámos ou que nos abandonou a nós.
Como pessoas talvez consistamos, em suma, no que somos e no que não fomos, tanto no comprovável, quantificável e registável como no mais incerto, indeciso e difuso, talvez sejamos feitos em igual medida daquilo que fomos e do que poderiamos ter sido.
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