
Mais um dia de inverno perdido no calendário da primavera.
- Como estás?
- Olha, vai-se andando...
Usando e abusando do gerúndio todos os dias- diria o meu umbigo- vai-se e volta-se.
Vai-se e volta-se todos os dias para o gerúndio:
Vai-se comendo, ouvindo, olhando, lendo, falando, rindo, sonhando, respirando, amando, dormindo...
Vai-se e volta-se todos os dias para o gerúndio:
Vai-se comendo, ouvindo, olhando, lendo, falando, rindo, sonhando, respirando, amando, dormindo...
Todos os dias o gerúndio, que nos indica uma acção em andamento, um processo ainda não finalizado.
É um paradoxo semântico algo perturbante, o gerúndio.
Teorizando, a vulgarização desta forma nominal talvez seja um reflexo nossa sociedade:
Vai-se pagando o carro e a casa, vai-se passeando, vai-se trabalhando e o governo vai governando...
Vai-se...! Dá a impressão que não queremos ir a lado nenhum...
Para onde estamos indo com o gerúndio?