ATÉ JÁ...

Assim fiquei eu. Braços estendidos ao longo do corpo, olhar no horizonte, mãos tremulas, embargo na voz. Quanto tempo?

Assim partis-te tu. Rapidamente, com a frieza de um flash de uma polaroid, incandescente, pintura inacabada de nós. Dois segundos terão sido suficientes.

Porque todo o amor do mundo não foi suficiente para demover a escrita do destino, porque a hora era aquela e o tempo ainda nem tinha passado por ti.

Quantos sonhos morreram naquela curva anónima da estrada? Quantas vontades, projectos, desejos? Quantos sorrisos, quanto sentimento, quanto amor ficou por dar?

Nem uma despedida, um último abraço, um ultimo apertar de mãos...

Nada, só o chão afundar-se aos meus pés, o porto seguro a quebrar-se e eu ali, agarrada a uma bóia feita de ses.

Mas o carrocel da vida continua, assim, num abraço à distância, num silêncio que também é música. .

Porque a melhor forma de sentir e viver a morte dentro de nós é ir amando,

Porque a melhor forma de guardar sentimentos é compartilhá-los...

Porque hoje o céu está mais azul, é tempo de recomeçar a acordar, reinventar melodias para novos e aventurados caminhos; é tempo de me despedir enfim desta mágoa.

Aqui tens o meu regaço para encostares a cabeça, o meu abraço para te aquecer alma, o meu beijo para selar este sentimento...deixa-me agora agarrar a mão e sussurar-te ao ouvido: Até já, meu amor...